Sites criados em plataformas gratuitas repassam dados de usuários para anúncios

Sites criados em plataformas gratuitas repassam dados de usuários para anúncios

Voc sabe quem est espionando o seu comportamento na internet enquanto trabalha, estuda, faz compras ou simplesmente explora a rede? Segundo o The Markup, plataforma de jornalismo orientado a dados, milhares de empresas podem estar recebendo acesso aos seus dados — entre outras informaes — sem que voc saiba.

Em uma investigao realizada durante os ltimos 18 meses pela plataforma, foi detectado que, por meio de ferramentas gratuitas de construo de sites,informaes de usurios so repassadas para a veiculao de anncios segmentados, servindo como “isca” para a Amazon, Adobe, LinkedIn, Google, entre outros.

Tambm foi apurado que um nmero massivo de rastreadores esto em atividade em endereos, at mesmo naqueles que se vendem como seguros. Na maioria das vezes, os dados acabam sendo repassados por meio das definies de cookies. Ao todo, foram analisados mais de 20 mil sites.

iStock-1137014758.jpgInvestigao foi feita em mais de 20 mil sites pela plataforma The Markup. Crditos: iStock

Foi descoberta uma srie de normas e padres do repasse de informaes para servios externos. Um dos exemplos: mais de 100 sites que atendem a imigrantes sem documentos que comprovem cidadania legal norte-americana, sobreviventes de abuso domstico e sexual, profissionais da indstria do sexo e pessoas LGBTQI+, enviaram dados sobre seus visitantes para empresas de publicidade.

Servios mdicos, como WebMD, pginas com notcias sobre a Covid-19 e endereos com informaes voltados a clnicas de abortos, tambm foram alguns dos sites que mais repassam informaes de terceiros a outras companhias.

O caso da Spart*A

Um dos principais recortes da investigao foi o site da Spart*A,organizao sem fins lucrativos servindo a militares transexuais e veteranos, cujo endereo foi feito por uma plataforma de criao de sites gratuita.

Sua criadora, Kara Zajac, afirmou em entrevista que no rastreava usurios. “Nem todo mundo nas foras armadas quer ser conhecido por ser trans. Eles podem no ter sado do armrio ainda. Portanto, sempre que pudermos proteger a privacidade dessa forma, tentamos fazer isso”, conta.

No entanto, ao realizar o rastreamento da segurana do site, a equipe do The Markup conseguiu identificar mais de 21 empresas de tecnologia que estavam tendo acesso a dados dos visitantes do site da associao.Alguns braos do marketing e publicidade de plataformas como Google, Amazon, Oracle, entre outros, estavam recebendo informaes e, consequentemente, enviando possveis sinais sobre a identidade de gnero dos visitantes aos anunciantes sem o consentimento prvio.

Zajac ficou chocada quando o The Markup mostrou a ela quantos rastreadores apareceram no site da Spart*A. Ela afirmou que aprendeu uma lio valiosa com a experincia: “Se grtis, isso no significa que grtis. Significa apenas que no h nenhuma troca financeira envolvida.”

Em vez disso, custa a privacidade dos visitantes do seu site.

Via: The Markup


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